olho pro passado e vejo tanta beleza, percorro os caminhos em que outros tempos caminhei e vejo as camadas do tempo me atravessarem
olho e vejo mil outros eus que aqui estiveram e sorrio silenciosamente e ao mesmo tempo visualizo mil outros eus ainda por vir e o fôlego escapa, assustado, ansioso
queria olhar para o meu eu absoluto de agora e ver toda essa beleza fluida de outros tempos
espero saber aproveitar e desfrutar dessa beleza, viver a liquidez de outras vidas e saber sentir e tocar a profundidade do presente
a beleza se cria no instante
o eterno molda sua perfeição, cria suas cores e molda cenas como em um filme francês cult de godard, como em uma pintura melancólica de van gogh
o precioso existe porque acaba
é uma pena que sejamos tão dispersos para perceber a beleza aqui e agora
quem dera eu acordasse e soubesse encontrar esse agora, pois o real parece sempre tão distante, no passado ou no futuro
no presente apenas flutuamos e deslizamos, nos desfazendo e nos construindo
escrito ao som de "diáspora", tribalistas (7/9/19)
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