No
início, aqueles olhos furtivos e envergonhados me procuravam com medo e
inseguros do que eu poderia dizer. Eu dizia a verdade. Sempre e somente ela.
Mas sem demora fomos apresentados e nos tornamos amigos fiéis.
Logo
vieram aqueles pontos vermelhos que macularam o seu rosto. E eles a afligiam
tanto. Pobre ser, aprendendo a viver. O cabelo cresceu. Mudou de cor tantas
vezes que era como se estranhos muito familiares me surpreendessem de tempos em
tempos. Ela cresceu, cresceu tanto que já não cabia mais em mim.
Cresceu
e metamorfoseou-se como um camaleão. Cada dia uma forma diferente, um rosto
deformado e alterado me encarando. E isso muito me assustava. Diferente de mim,
sempre o mesmo, ela estava em constante transformação na busca pela sua
identidade. Éramos uma constante metáfora da oposição. Eu a verdade, ela o
disfarce de suas múltiplas faces. Eu o silêncio, ela um turbilhão de vozes que
atacavam os muros das convenções e ecoavam nos muros das hipocrisias ao seu
redor. Eu uma frieza transparente, ela o calor das emoções. Eu a morte, ela a
vida. E eu estava acostumado com isso.
De
repente, aqueles olhos brilharam e o sorriso se alargou. Quando percebi alguém
mais me encarava. E eram felizes. O que eu lhes mostrava parecia os satisfazer.
E eu também era feliz, apesar de não ser mais tão procurado como antes. A
felicidade dela era a minha. Eu continuava ali, simplesmente ali. Esperando...
Mas
de repente, do riso fez-se o pranto, como disse ela certa vez ao recitar em
minha frente muitas vezes um poema para a aula de português. Seus olhos ficaram
sozinhos novamente. Eu não entendia o que estava acontecendo. Seu olhar fuga de
mim. Era como se o que eu lhe mostrava estava errado. Não fosse suficiente. E
então o vazio neles si instalou. Lágrimas rolaram. E as crises vieram.
Eu
tentava mostrar algo que a deixasse feliz, melhor. Mas como sempre, o que eu
tinha a oferecer era a verdade. Ela, e somente ela. Mas isso doía. E então, num
olhar irreconhecível e cheio de frustração fui ao chão e me transformei em
vários. Tantos de mim espalhados peloso soalho, incapazes de juntar novamente.
Pouco a pouco sendo lavados pelas lágrimas que caíam. Um punhado de cacos
inúteis, partidos para sempre, ferindo qualquer um que tentasse se aproximar ou
me tocar.
Uma
vida inteira, toda uma relação, destruídas por um momento de insensatez
Impulsos que cegaram e desmancharam tantas memórias. Ou talvez tudo fosse
mentira, uma única ilusão em um mar de verdades. Criada por uma mente nebulosa
e paranoica. Sepultado agora em uma Lo-debar, lugar de esquecimento, só resta
me afogar nas lembranças do paraíso que eram os seus olhos."
Jean D. Thoni Oliveira
Ai Jean...não posso falar nada, porque estou emocionada...
ResponderExcluirOooiii, Francine. Quanto tempo!!?
ExcluirAaaaahhh, obrigado!!!
Que legal que você gostou tenho muitas outras produções minhas, vou começar a postar mais então.
Abraçoooo, Jean!!!!!